A localização geográfica, a altitude e a existência de zonas ventosas propiciaram que os habitantes do concelho de Penacova, com uma economia essencialmente agrícola, que privilegiava o cultivo da vinha, da oliveira e de cereais, aproveitassem a força da natureza, construindo engenhos - os Moinhos que, movidos pelo vento (Moinhos de Vento) ou pela força da água (Azenhas) transformavam os cereais em farinha.
O Concelho de Penacova possui actualmente um dos maiores núcleos molinológicos do país, encontrando-se espalhados pelas Serras da Atalhada, Aveleira e Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão e Portela da Oliveira, 19 moinhos de vento em actividade ou em condições de funcionar, bem como 18 azenhas instaladas nos cursos do Mondego e do Alvae nas muitas ribeiras que correm no concelho.
Se, no passado, estes engenhos constituíram uma fonte de rendimentos e uma forma de subsistência, hoje são uma mais-valia patrimonial que surpreende quem nos visita.
Em termos paisagísticos, Penacova está inserida numa área de rara beleza, com montanhas de média altitude, grande biodiversidade, vales correspondentes aos rios Mondego e Alva, proporcionando um panorama deslumbrante ao longo do Vale do Mondego, desde o Porto da Raiva até à Foz do Caneiro.
Junto ao antigo Hospital, hoje Hotel, ergue-se o Mirante Emydgio da Silva ou Emídio da Silva, construído no início do séc. XX, por iniciativa do político do mesmo nome. O projecto, da autoria do italiano Nicolau Bigaglia, utilizou, na sua construção, colunas de pedra trazidas do Mosteiro de Lorvão. Inaugurado a 31 de Maio de 1908, permite desfrutar uma paisagem magnífica sobre o Mondego.
No centro da Vila, junto ao edifício da Câmara Municipal, a Pérgola Raúl Linofoi traçada pelo arquitecto que lhe deu nome. Mandada construir pela Sociedade Propaganda de Portugal, foi oferecida ao Povo de Penacova em 1918 e, desde então, todos quantos a visitam, desfrutam de uma agradável varanda coberta por velhas cepas de glicínias que permite avistar o rio, para jusante, até à curva da Rebordosa.
Localizado na parte alta da vila, do lado oeste, o Penedo de Castro,surpreende pela imponência da parede granítica propícia à prática de escalada e rappel e pelas vistas magníficas sobre o Vale do Mondego.
A história da produção de cal no concelho de Penacova remontará ao séc. XVIII, período em que se terá dado a construção do forno do Pisão, nas proximidades de Lorvão, visando suprir as necessidades do Mosteiro. Nas fontes escritas, os fornos de cal de Penacova começam a ser referidos a partir de 1860, indiciando a expansão da produção de cal, para além da zona de influência do Mosteiro. A cal estaria presente em representação do concelho, na Exposição Distrital de Coimbra de 1869 e no IV Congresso Beirão realizado em 1929.
Ainda que possuindo diferentes estados de conservação é possível, hoje, detectar no concelho de Penacova 23 fornos de cal, distribuídos por Casal de Santo Amaro (10), Ferradosa (6), Arroeiras-Riba de Cima(2), Lorvão (1), Carregal-Friúmes (1) e Galiana (1). Num dos núcleos do Casal de Santo Amaro, localidade que, ao longo dos tempos, concentrou o maior número de fabricantes de "cal parda", é possível visitar um dos fornos e áreas envolventes, espaço reabilitado pelo Centro Recreativo com apoio do Município.
Junto aos Rios Alva e Mondego, a diversidade paisagística, proporciona aos visitantes vistas panorâmicas e espaços de lazer de beleza única.
Ao longo do Rio Alva, espaços de beleza particular, surpreendem quem pretende um contacto mais próximo com a limpidez das águas e o verde da paisagem. Os espaços de lazer da Lapa, Vimieiro, Cornicovo, Maria "Delegada" e Vale da Chã permitem desfrutar a Natureza e, simultaneamente, descobrir pequenos açudes, levadas, Rodas e Azenhas. Todos os espaços possuem parque de merendas e, no caso dos espaços de lazer do Vimieiro e de Vale da Chã, existem Restaurante e Bar de apoio, respectivamente.
Junto a Penacova, na margem esquerda do Rio Mondego, o espaço de lazer doReconquinho, dispõe de apoios de praia, bar e de um espaço único para desfrutar as águas do Rio Mondego. A jusante da Vila, na margem direita do rio, junto à localidade de Rebordosa, o Porto do Barco possui igualmente infra-estruturas de apoio à prática balnear.
Outros espaços, ao longo de ambos os rios, encontram-se relativamente inexplorados. Descobri-los será certamente uma aventura.
O Mondego foi, durante séculos, a única e principal via de comunicação entre as populações do interior e do litoral. A inexistência de caminhos-de-ferro, estradas, transportes internos e a rapidez e baixo custo do transporte fluvial transformaram o Mondego, da nascente até à foz, no responsável pela subsistência e economia das populações por ele banhadas, transportando de Penacova embarcações carregadas de madeira, lenha, carqueja e carvão, com destino a Coimbra e Figueira da Foz e, trazendo, no regresso, sal, pescado, milho, pipas de vinho e outras mercearias.
A Barca Serranaassumia, neste contexto, um papel de destaque, encontrando-se no centro das mais importantes actividades económicas e comerciais da bacia do Mondego. E, o Porto da Raivaque, em meados do séc. XIX, era considerado o porto mais importante de todo o curso navegável do Mondego, desempenharia até à primeira metade do séc. XX o papel de grande entreposto comercial, ligando o litoral com a região beirã.
Junto a Penacova, e depois de ter recebido o Alva, afluente da margem esquerda, o Mondego estrangula-se cada vez mais ao atravessar o contraforte de Entre-Penedos. Aqui, encontram-se «altas assentadas de quartzíticos silúricos, muito fracturados» que, dispostos quase verticalmente, como livros inclinados numa estante, deram origem à conhecida Livraria do Mondego.
As Árvores de Interesse Público são espécies que, pelo seu porte, desenho, idade e raridade se distinguem dos outros exemplares. A classificação de "interesse público" atribui ao arvoredo um estatuto similar ao do património construído classificado. Desta forma, as árvores e os maciços arbóreos classificados de interesse público constituem um património de elevadíssimo valor ecológico, paisagístico, cultural e histórico, em grande medida desconhecida da população portuguesa.
Em Penacova existem quatro espécies que mereceram esta classificação: seis exemplares deEucalyptus Globulus Labillardière(Eucalipto), com 128 anos, localizados nas Ermidas de São Paio de Mondego; uma Sequoia Sempervirens (Don) Endl (Sequoia), com 150 anos, localizada na Quinta de Santo António, em Penacova; duas Wisteria Sinensis (Sims) Sweet(Glicínias n.º 1 e n.º 2), com 89 e 03 anos respectivamente, localizadas no Terreiro de Penacova; e um Eucalyptus Obliqua L'Herit(Eucalipto), com 80 anos, localizado em Albarqueira, Sernelha.